Berliner Boersenzeitung - OMS alerta para 'época perigosa' em meio a crises do ebola e do hantavírus

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OMS alerta para 'época perigosa' em meio a crises do ebola e do hantavírus
OMS alerta para 'época perigosa' em meio a crises do ebola e do hantavírus / foto: Fabrice Coffrini - AFP

OMS alerta para 'época perigosa' em meio a crises do ebola e do hantavírus

O hantavírus e o ebola são apenas as crises mais recentes até o momento de uma época "perigosa", alertou, nesta segunda-feira (18), o chefe da Organização Mundial da Saúde na abertura da assembleia-geral da OMS, em Genebra.

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Embora o raro surto de hantavírus no navio de cruzeiro MV Hondius, que zarpou da Argentina e capturou as atenções ao redor do mundo, nem a epidemia de ebola na República Democrática do Congo estejam oficialmente na agenda, ambos tiveram destaque nos debates do primeiro dia desta 79ª assembleia da organização, que se estenderá até o próximo sábado.

A OMS chamou como convidado especial do evento o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, cujo país aceitou receber em 10 de maio na ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias, o MV Hondius para que mais de 120 pessoas pudessem ser evacuadas para seus países.

"Nenhum país se salva sozinho. E proteger os demais é a melhor forma de proteger nossas próprias sociedades", afirmou Sánchez, que foi ovacionado pelos delegados.

"Há uma pandemia que ninguém quer frear, e é a do egoísmo. Essa é a pandemia que realmente está afetando nossas sociedades, e essa também se contagia", advertiu.

Devido ao atraso acumulado nos debates, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, discursará na terça-feira.

Mas advertiu, nesta segunda, que o surto recente de hantavírus e a epidemia de ebola "são apenas as crises mais recentes em nosso mundo, presa de múltiplas turbulências".

O alto funcionário acrescentou que "dos conflitos às crises econômicas, passando pelas mudanças e a redução da ajuda internacional, vivemos uma época difícil, perigosa e fonte de divisões".

- "Situação frágil" -

A Assembleia Mundial da Saúde (AMS) foi organizada após um ano difícil para a OMS, fragilizada pelos cortes orçamentários e pela decisão do presidente americano, Donald Trump, de retirar os Estados Unidos da organização.

Para Surie Moon, codiretora do Centro de Saúde Global do Instituto de Pós-Graduação de Genebra, "a situação segue sendo muito frágil", mas a organização "conseguiu mobilizar a maior parte dos fundos" necessários para os próximos dois anos.

Em declarações à AFP, ela disse que a crise do hantavírus ofereceu "uma ilustração clara da razão pela qual o mundo precisa de uma OMS eficaz, confiável, imparcial e com financiamento previsível".

Neste primeiro dia da assembleia, os Estados-membros da OMS se negaram a incluir na agenda um ponto adicional para convidar Taiwan a participar como observador, um status que a ilha - que a China considera parte de seu território - perdeu em 2016.

Também estão sobre a mesa várias resoluções delicadas, entre elas em relação à Ucrânia, aos territórios palestinos e ao Irã, que poderiam gerar debates complexos.

Espera-se que os países levem mais um ano para finalizar as negociações sobre um ponto crucial do tratado sobre as pandemias. Este sistema deveria permitir compartilhar de forma rápida e igualitária vírus, seus dados genéticos e produtos sanitários (vacinas, tratamentos, testes de diagnóstico) derivados deles.

Segundo uma fonte diplomática, se as negociações fracassaram até agora, isto se deve, entre outras razões, ao "legado da crise da covid", que fez com que "ainda haja uma forte desconfiança entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento".

- Saídas dos Estados Unidos e da Argentina -

Os membros da organização também deveriam se pronunciar sobre o pedido da Argentina para deixar a organização.

Em janeiro, o Conselho Executivo da OMS não tomou nenhuma decisão sobre o pedido de Washington. "Poderíamos pensar que nesta semana tampouco haverá uma decisão sobre os Estados Unidos", disse uma fonte diplomática à AFP.

Diplomatas e observadores afirmaram que há um amplo consenso de que seria melhor manter em uma zona cinzenta a saída efetiva dos Estados Unidos.

Grande parte das discussões desta semana vão se centrar na possibilidade de implementar um processo formal de reforma da chamada "arquitetura global de saúde", uma rede de organizações que nem sempre trabalham juntas e que frequentemente minam umas às outras.

(T.Burkhard--BBZ)