Berliner Boersenzeitung - Programas sociais, déficit e guerrilha: Colômbia diante de rumos opostos nas eleições presidenciais

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Programas sociais, déficit e guerrilha: Colômbia diante de rumos opostos nas eleições presidenciais
Programas sociais, déficit e guerrilha: Colômbia diante de rumos opostos nas eleições presidenciais / foto: Juan BARRETO - AFP

Programas sociais, déficit e guerrilha: Colômbia diante de rumos opostos nas eleições presidenciais

Duas visões opostas diante da violência das guerrilhas, os programas sociais e a economia se enfrentam neste domingo (21) no segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia, entre Abelardo de la Espriella, de extrema direita, e Iván Cepeda, de esquerda.

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No primeiro turno, De la Espriella, um excêntrico advogado que estreia na política, venceu por uma margem estreita o senador Cepeda, aliado e herdeiro do presidente Gustavo Petro. Eles voltarão a se enfrentar no segundo turno.

Aqui vão quatro pontos fundamentais para entender o que está em jogo na Colômbia.

1. Diálogos ou linha dura

A Colômbia enfrenta sua pior onda de violência na última década. Estas eleições estão manchadas pelo assassinato a tiros de um candidato presidencial e ataques com bombas e drones explosivos no país com a maior produção de cocaína do mundo.

De la Espriella recebe o descontentamento de uma parte do eleitorado que rejeita as políticas de paz com as quais Petro tentou, sem sucesso, negociar com os grupos armados.

Em vez de assinar acordos, as organizações aproveitaram os diálogos para se fortalecer, afirmam analistas.

Cepeda foi um dos arquitetos da chamada "Paz Total", embora, em entrevista à AFP, tenha dito que está disposto a revisar esta política.

"Um presidente tem que defender sua população", disse Juan Rodríguez, estudante de direito de 22 anos, seduzido pela promessa de "segurança séria" de De la Espriella e por sua recusa de "negociar com bandidos".

O advogado promete pôr fim às conversas com o lema "a paz não se negocia, se impõe".

Também busca acabar com o tribunal surgido do pacto de paz, que julga crimes atrozes do conflito e oferece penas alternativas à prisão àqueles que indenizarem as vítimas e contarem a verdade.

Desde o histórico acordo de paz com as Farc em 2016, a taxa de homicídios permanece estável, em cerca de 25 para cada 100 mil habitantes, mas a extorsão, a mineração ilegal e os deslocamentos dispararam.

2. Cortes no gasto social

Petro manteve um gasto público elevado para financiar programas sociais, enquanto o déficit fiscal subiu para 7% do PIB, o segundo maior da região depois do Brasil.

Cepeda propõe dar continuidade à linha do primeiro governo esquerdista da Colômbia, que reduziu a pobreza a mínimos históricos, 28% no ano passado, segundo a autoridade estatística.

Admirador do presidente argentino Javier Milei, De la Espriella promete reduzir o tamanho do Estado em 40% e aplicar austeridade fiscal.

Quem "prometer diminuir o gasto vai se deparar com uma realidade muito difícil", diz Oliver Pardo, diretor do Observatório Fiscal da Universidade Javeriana.

Apoiadores de Cepeda anunciaram protestos caso a educação gratuita seja restringida, o desemprego aumente ou os históricos aumentos do salário mínimo sejam interrompidos.

Claribed Palacios, de 47 anos, preside um sindicato de empregadas domésticas negras e assegura que, com o aumento salarial de 23% do ano passado, suas colegas podem "economizar um pouco" e visitar suas famílias no fim do ano.

Cerca de 1,8 milhão de pessoas saíram da pobreza entre 2024 e 2025 no país mais desigual da América Latina, segundo o Banco Mundial.

3. Saúde pública ou privada

Para recuperar um sistema de saúde colapsado, De la Espriella propõe voltar a um modelo com maior participação da iniciativa privada como administradora dos recursos públicos.

Por outro lado, Cepeda aponta um sistema onde o Estado controle o dinheiro e as entidades privadas prestem serviços.

Segundo Augusto Galán, ex-ministro e diretor do centro de estudos Así Vamos en Salud, Petro "aprofundou a crise" de um sistema que já vinha debilitado, ao tentar fortalecer a participação estatal sem recursos suficientes.

A "batalha constante mês a mês" pela medicação e pelos tratamentos é "frustrante", diz Nataly Ahumada, que enfrenta demoras no atendimento de seu filho Mateo, de 22 anos, cuja doença provoca convulsões.

"A gente não tem vida (...) bate em portas que não se abrem", diz, Ahumada.

4. Fracking ou transição energética

Para recuperar os cofres do Estado, De la Espriella quer retomar a exploração de petróleo, suspensa por Petro para priorizar a transição para energias limpas diante da ameaça das mudanças climáticas.

Além disso, ele diz que fará "fracking até onde der" e minimiza os riscos ambientais desta técnica, que consiste em injetar água, areia e produtos químicos em alta pressão para romper as formações rochosas onde o hidrocarboneto se concentra.

Para Gabriela Zambrano, química de 22 anos, isso é uma linha vermelha. "Minha prioridade é o meio ambiente. Eu não apoiaria o fracking", diz.

Cepeda defende a transição energética como uma "necessidade inadiável".

Esta política "antiextrativista" tem um impacto nas finanças públicas e a "independência energética", considera Iván Rico, professor de finanças da Universidad del Rosario.

(G.Gruner--BBZ)