Berliner Boersenzeitung - Filho da princesa herdeira da Noruega se declara não culpado por estupro

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Filho da princesa herdeira da Noruega se declara não culpado por estupro
Filho da princesa herdeira da Noruega se declara não culpado por estupro / foto: Håkon Mosvold Larsen - NTB/AFP/Arquivos

Filho da princesa herdeira da Noruega se declara não culpado por estupro

Marius Borg Høiby, filho da princesa herdeira Mette-Marit, declarou-se não culpado das acusações de estupro nesta terça-feira (3), primeiro dia de um midiático julgamento que abala a imagem da realeza no país escandinavo.

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Høiby nasceu de uma relação anterior ao casamento de sua mãe com o príncipe herdeiro Haakon. Usando roupas verdes e sapatos brancos, respondeu murmurando para negar as quatro acusações de estupro entre 2018 e 2024.

Com o rosto inexpressivo, usando óculos de lentes grossas e um brinco, o jovem de 29 anos ouviu de pé a leitura do documento com 38 acusações, que podem lhe render até 16 anos de prisão.

Høiby negou as acusações de estupro. Contudo, admitiu, total ou parcialmente, acusações de violência, ameaças, uma infração à lei de drogas e outros crimes de tráfico. Em 2020, transportou 3,5 kg de maconha, em fatos reconhecidos pelo filho da princesa.

No domingo, o jovem foi colocado em prisão preventiva por quatro semanas a pedido da polícia, “devido ao risco de reincidência” por novas suspeitas: atentar contra a integridade física, ameaças com uso de faca e violação da proibição de contato com uma pessoa.

Enquanto o Ministério Público detalhava as circunstâncias dos supostos estupros e agressões, o réu, de cabeça baixa, agitava nervosamente as mãos e as pernas.

Os estupros — um deles com penetração sexual durante um período de férias com o príncipe Haakon nas ilhas Lofoten em 2023 — ocorreram após relações consentidas, muitas vezes em noites de consumo de bebida alcoólica, quando as vítimas não estavam em condições de se defender, segundo a acusação.

"Se Marius se declara não culpado (...), é simplesmente porque percebeu o conjunto dos fatos como relações sexuais normais e consentidas", rebateu a defesa.

Na tarde desta terça-feira estava prevista a declaração de uma suposta vítima. Høiby dará sua versão na quarta-feira.

- Justiça sem distinção -

Antes do início do julgamento, o promotor Sturla Henriksbø afirmou à AFP que Høiby não seria tratado "nem com mais indulgência, nem com maior severidade" por seus vínculos com a família real.

A defesa criticou a “exposição midiática negativa” e os comentários que, segundo ela, contribuem para condenar seu cliente antecipadamente. “O julgamento deve ser decidido nesta sala de audiências, em nenhum outro lugar”, enfatizou Ellen Holager Andenæs.

Høiby foi detido em 4 de agosto de 2024 por suspeita de agredir sua parceira na noite anterior.

Alguns dias depois, afirmou que agiu "sob a influência de álcool e cocaína após uma discussão", disse que sofre de "transtornos mentais" e luta "há muito tempo contra a dependência" das drogas.

A investigação policial encontrou indícios de outros crimes, incluindo o suposto estupro de quatro mulheres quando não estavam em condições de se defender e que o réu, em alguns casos, filmou.

Sete pessoas são consideradas supostas vítimas do filho de Mette-Marit.

Suas identidades permanecem sob proteção, com exceção de Nora Haukland, modelo e influenciadora, que falou publicamente sobre a violência que diz ter sofrido.

- Imagem afetada -

Este é o maior escândalo vivenciado pela família real norueguesa. O caso implodiu a imagem da instituição, apesar da popularidade do rei Harald V e da rainha Sonja, ambos com 88 anos.

Segundo uma pesquisa publicada nesta terça-feira pelo canal TV2, mais de 70% dos noruegueses considera que a posição da monarquia enfraqueceu nos últimos anos, marcada também por outras polêmicas.

Coincidentemente, o Parlamento norueguês votou no mesmo dia, por uma maioria esmagadora, a favor de manter o regime monárquico na Noruega.

Além do julgamento, outro caso abala a imagem da família: a aparição em pelo menos 1.000 ocasiões do nome de Mette-Marit nos arquivos publicados nos Estados Unidos sobre Jeffrey Epstein.

As mensagens entre os dois foram trocadas entre 2011 e 2014, quando ela já estava casada com o futuro rei da Noruega. Na época, Epstein já havia sido condenado em 2008 a pouco mais de um ano de prisão por prostituição de menores.

"Demonstrei falta de critério e lamento profundamente ter mantido contato com Epstein. É simplesmente vergonhoso", declarou a princesa herdeira em um comunicado enviado à AFP pelo Palácio Real da Noruega.

O veredicto contra Høiby deverá ser anunciado algumas semanas após o fim do julgamento, previsto para 19 de março.

(L.Kaufmann--BBZ)