Berliner Boersenzeitung - Terremotos provocam destruição, pânico e dezenas de mortos na Venezuela

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Terremotos provocam destruição, pânico e dezenas de mortos na Venezuela

Terremotos provocam destruição, pânico e dezenas de mortos na Venezuela

Dois fortes terremotos quase consecutivos que sacudiram a Venezuela na quarta-feira deixaram pelo menos 32 mortos, dezenas de prédios destruídos e cidades sem energia elétrica, em um cenário de destruição que provoca o temor de um balanço muito mais grave.

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A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, informou um primeiro balanço de 32 mortos e mais de 700 feridos, mas os números não incluem as vítimas do estado de La Guaira, a região mais afetada.

Uma equipe da AFP que seguiu para a área próxima de Caracas observou dezenas de prédios que desabaram ou ficaram com graves danos. Não havia energia elétrica e as pessoas passaram a noite nas ruas, procurando parentes entre os escombros.

"Não temos nada, agora não temos nada, nem sequer força, nem coragem para entrar ali, imagina", disse à AFP Larry Rojas, de 49 anos, diante de um prédio que desabou e onde sua família estava presa.

O primeiro terremoto, de 7,2 graus de magnitude, aconteceu às 18h04 (19h04 de Brasília), com epicentro 21 km ao oeste de Morón, no norte do país, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

Quase um minuto depois, a alguns quilômetros de distância, aconteceu o segundo tremor, de 7,5 graus de magnitude, o mais potente registrado na Venezuela desde 1900, segundo dados do USGS.

"Foi terrível, foi terrível. Tudo, tudo desabou, tudo, tudo", disse Yilsmaris Blanco, moradora de La Guaira, de 39 anos.

"Agradecemos a Deus (...) porque estamos vivos, mas há pessoas que estão sofrendo com seus familiares soterrados, com seus familiares esmagados que não conseguem retirar", acrescentou.

Os terremotos foram tão potentes que também foram sentidos na Colômbia, onde algumas sirenes de alerta foram acionadas.

- "Zona de desastre" -

Delcy Rodríguez citou "dezenas de edifícios que desabaram". "Estamos neste momento em trabalhos muito árduos de resgate para salvar as vidas que Deus nos permita salvar", disse a presidente em uma mensagem ao país.

O governo interino decretou estado de emergência em todo o país diante da gravidade dos danos e declarou La Guaira como uma "zona de desastre".

Nas ruas da região litorânea, a população pedia ajuda e se mobilizava para tentar resgatar os moradores presos. A equipe da AFP viu pelo menos dois mortos.

"Tem gente viva ali e ninguém vem salvar", disse uma mulher cuja filha ficou soterrada após o desabamento de um prédio de 12 andares.

Os tremores também provocaram graves danos à infraestrutura do aeroporto internacional de Maiquetía, que atende à capital venezuelana. O terminal aéreo foi fechado.

Passageiros com voos cancelados e moradores da região passaram a noite no estacionamento do aeroporto.

Caracas ainda conta, no entanto, com o aeroporto militar de La Carlota, localizado em plena zona metropolitana.

- Pânico em Caracas -

Na capital, as cenas eram de destruição e pânico. Uma jornalista da AFP viu um edifício de 22 andares completamente destruído na área de Chacao, zona leste da cidade.

Pessoas gritavam os nomes de parentes nas ruas e alguns voluntários subiam nos escombros. "Precisamos de lanternas", pediu um deles ao cair da noite.

Do lado de fora do centro comercial Sambil, também em Chacao, Heidi Romero, uma vendedora de 42 anos, estava assustada com a dimensão dos tremores.

"Não sei quanto tempo durou. Eu estava no último andar. Caíram muitas coisas de algumas lojas. Saímos pelas escadas de emergência, foi por onde nos tiraram", disse à AFP.

Os terremotos foram sentidos com força nos estados de Trujillo, Carabobo, Miranda e La Guaira, segundo o ministro do Interior, Diosdado Cabello.

Após os dois terremotos, 20 tremores secundários foram registrados, afirmou a presidente interina.

- Ajuda dos Estados Unidos -

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está em uma boa relação com a Venezuela desde que ordenou em janeiro a captura do então presidente Nicolás Maduro, prometeu ajudar seus "novos e grandes amigos".

Seguindo ordens de Trump, o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou que Washington "está enviando de maneira imediata equipes de busca e resgate, recursos médicos e assistência humanitária à Venezuela".

Rodríguez informou depois que teve uma conversa telefônica com Rubio, "que expressou sua solidariedade e apoio ao povo venezuelano nestes momentos difíceis".

Muitos países da América Latina, assim como Espanha, Itália, China e Índia, também expressaram solidariedade e ofereceram ajuda.

Especialistas da ONU pediram a Caracas para "desbloquear imediatamente" o acesso às redes sociais e aos meios de comunicação para facilitar as tarefas de socorro.

A Venezuela é cenário frequente de abalos sísmicos. Os terremotos mais fortes das últimas décadas aconteceram em 1997 em Cariaco (nordeste), com 73 mortos, e em 1967 em Caracas, com 236 falecidos.

(B.Hartmann--BBZ)