Berliner Boersenzeitung - Em decisão dividida, Federal Reserve mantém taxas de juros nos EUA

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Em decisão dividida, Federal Reserve mantém taxas de juros nos EUA
Em decisão dividida, Federal Reserve mantém taxas de juros nos EUA / foto: Brendan SMIALOWSKI - AFP

Em decisão dividida, Federal Reserve mantém taxas de juros nos EUA

O Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) decidiu, nesta quarta-feira (29), manter suas taxas de juros, em uma decisão dividida.

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Em meio a uma inflação persistente, provocada pela guerra no Oriente Médio e as pressões do presidente americano, Donald Trump, para que a instituição baixe os juros e impulsione o crédito, o Comitê de Política Monetária (FOMC) do Fed decidiu manter as taxas de referência na faixa de 3,50%-3,75% pela quinta vez consecutiva.

Três dos doze participantes na votação se pronunciaram a favor de um aumento de 0,25 ponto-base.

Durante uma coletiva de imprensa que se seguiu aos dois dias de reunião do FOMC, o presidente do Fed enalteceu a "solidez impressionante" da economia americana, ao justificar a decisão de manutenção dos juros.

"A economia tem demonstrado uma solidez impressionante, apesar dos choques recentes. As tendências são positivas e nos mostram um crescimento que segue sendo robusto", disse Warsh.

- Uma decisão esperada -

O mercado esperava este resultado. Segundo a FedWatch, ferramenta de acompanhamento do CME Group, cerca de dois terços dos analistas tinham antecipado esta decisão. Mas, ao mesmo tempo, um terço dos analistas apostava em um aumento dos juros.

Parte importante dos especialistas tinha opiniões divergentes, algo que se vê pouco na véspera da decisão, e que se explicava em particular pela vontade do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, de parar de dar de antemão indícios sobre a direção que o banco central americano poderia tomar.

Em suas primeiras declarações públicas como presidente da instituição, Warsh tinha reafirmado que a entidade se concentraria em devolver a estabilidade dos preços, sem aportar, no entanto, nenhuma indicação sobre o método previsto.

Uma alta dos juros teria representado, no entanto, um cenário desfavorável para o presidente Donald Trump, que tinha prometido fazer baixar tanto os preços quanto os custos do endividamento.

Juros mais elevados significam crédito mais caro.

Vários integrantes do FOMC tinham dito que contemplavam um aumento e um deles, Christopher Waller, tinha estimado em julho que o Fed "deve estar preparado para endurecer sua política monetária para evitar uma repetição do episódio de inflação de 2020-2021", durante a pandemia de covid-19.

Embora Waller por fim tenha se manifestado a favor do status quo, não foi o caso de seus colegas Beth Hammock, Lorie Logan e Neel Kashkari.

Antes de nomear Kevin Warsh - de quem não esconde esperar uma política monetária mais transigente -, Trump fez uma intensa campanha contra Jerome Powell, que ocupou a presidência do Fed durante oito anos.

- Visões -

O presidente americano manteve a pressão sobre o banco central até o último momento, e assegurou, na segunda-feira, que "o relatório sobre a inflação foi muito bom", com "custos que baixam rapidamente".

Na realidade, a inflação voltou a subir nos últimos meses, principalmente devido à guerra no Oriente Médio, iniciada pelos bombardeios americanos e israelenses no Irã.

Em maio, o índice PCE, o preferido do Fed para determinar sua política monetária, alcançava 4,1%, 0,3 ponto percentual a mais que em abril, e um aumento de 1,2 ponto desde fevereiro.

Desde então, os preços da energia, principal causa do atual pico de inflação, voltaram a baixar.

Seguem, no entanto, em um nível muito mais elevado que no começo do ano e muito voláteis, segundo a evolução das hostilidades.

Os dados do PCE de junho serão divulgados na quinta-feira, no dia seguinte da decisão do Fed.

Segundo a maioria dos analistas, o fato de a inflação estar vinculada à energia explica que pode ser considerado temporária.

O mercado de trabalho, enquanto isso, segue mostrando solidez.

O desemprego se mantém baixo (4,2%), embora este dado seja em parte explicado por uma diminuição da taxa de participação da mão de obra na economia, que se situa em seu nível mais baixo desde a pandemia.

O Fed tem um duplo mandato, que consiste em manter a inflação controlada (sua meta é de 2% ao ano) e conseguir o pleno emprego.

(O.Joost--BBZ)